Ah...Veneza.
Veneza é incrível.
Incomparável. Mesmo por que você dificilmente conhecerá uma cidade formada por 177 ilhas e andará somente a pé, de vaporeto ou de barco, ou pagará incríveis 80 dólares para andar de gôndola.
Táxis- lancha! Estes detalhes inesperados e incomuns transformam Veneza que já é linda num lugar quase surreal.
A caminho desta viagem tão esperada (esperei-a por pelo menos 6 anos...), pensei que jamais me imaginei num vôo para Zurich. E lá estava eu, em Zurich, ansiosa por Veneza, e todo o resto da Itália que percorreira nos próximos 21 dias.
Durante esta noite acordei sem saber onde estava... procurando identificar qual hostal era esse (minha casa!) e para onde iríamos hoje; mais uma noite sonhando com a Itália. Tenho que rir disto! Desde que voltamos estive sonhando que ainda estava andando dia inteiro entre ruinas ou construções que me deixaram encantada. Apaixonada, eu diria.
E exatamente por isso resolvi começar a postar.
Chegamos em Veneza as 14:00h, depois de 12 horas de vôo e 3 horas de sono... Do aeroporto de Mestre chega-se de ônibus a Piazalle Roma, onde já vale a pena comprar o mapa do labirinto e começar a andar!
O hostal que escolhemos pela internet era exatamente como as fotos que havíamos visto, e isso já foi um grande alívio, confeso.

(Nosso Hostal Cá de Gallo, na vialle C`a de Gallo, tem ótimas acomodações, e café da manhã sem manteiga. Péssimo para brasileiros. É bem próximo a Pz. Roma e muito fácil de encontrar. Este ai, pequeno, ao lado das roupas no varal.)
Já saimos em seguida ansiosos por começar a descobrir tudo o que podíamos e conferir se o que tínhamos lido fazia algum sentido e se era real.
É muito mais! Almoçamos num pequeno restaurante com as mesas na área externa de uma praça que estava repleta de (!) moradores locais. E isto é o melhor! Sem turistas! nosso sonho.
Na Itália pode-se optar pelo "menu fixo" do restaurante, que em alguns casos pode ter duas opções a escolher. Com o preço mais em conta e dois pratos, foi o que pedimos.
Nos meus estudos de Italiano antes da viagem achei engraçadíssimo o nome "braciolla de maiale", e fui direto nisto! Além de gostar de bisteca, adorei dizer "braciolla de maiale".
Decepção na certa. Para os Italianos, a bisteca no ponto é praticamente crua para mim. Desta vez só comi as beiradas... Numa próxima eu pediria bem "cotta".
Passamos um bom tempo na mesa do restaurante, na praça, admirando a vida local, assustando-nos com os adolescentes comendo cada um uma pizza inteira no banco da praça (!), e estudando o cardápio... antepasti, primi piati, secondi piati, contorno, dolce. Ai, ai. Estou na Itália! E vou experimentar tudo isso!
Neste primeiro almoço, deixamos por conta da casa e comemos a massa primeiro e a salada no final... Não funciona. Não para mim. Não é fisiologicamente possível para mim comer uma lasanha e depois a carne com a salada.
Por mais incrível que possa parecer, andamos o resto do dia e a noite sem encontrar turistas (o que deixou Rodrigo extremamente feliz!), andamos sem parar por todas as ruas que encontramos, nos perdemos, nos achamos de novo, tentamos entender como foram construídas as casas, como eles pensaram em ir para lá, como eles viviam na época... andamos até sair da cidade (risos) e achá-la de novo pelo lado do porto. Nesta volta pelo porto, chegamos a ponta de uma das ilhas com a calçada bem larga, voltada para o mar adriático, onde paramos para assisitr o nosso primeiro por do sol.
Sem querer, chegamos a praça São Marcos, vazia, e pensamos que realmente a temporada havia acabado. Nos restaurantes abertos, "mini-orquestras" revezavam-se nas apresentações para os clientes (e para o público que de pé na praça curtia muito mais) em pequenos palcos muito bem montados entre a colunata do restaurante no prédio etrusco e as mesas na praça.
No dia seguinte descobriríamos que a temporada acabara, mas não os turistas, e que era tarde para achá-los passeando a noite...
Um curto passeio de vaporeto para ver a cidade pelos canais, e chega por hoje.
É incrível como o cançaso desaparece quando se está viajando, ou quando se está prestes a fazer alguma coisa de que se gosta muito.
No segundo dia andamos ainda mais que o anterior!
E nada parecia igual, nem as ruas em que passamos mais de uma vez!
Andamos o dia todo curiosíssimos por descobrir mais e mais, supermercado, padaria, pasticeria... até que descobrimos o speck. E não largamos dele até o último dia! foram muitos sanduíches de speck com ermental, durante as "andanças" dos dias que viriram.
Há lugares em Veneza que precisam ser visitados por quem viaja como nós: fora da rota convencional. Andamos até os jardins, na ponta norte da cidade, onde estava acontecendo a bienal de arquitetura, e onde as crianças da cidade estavam com suas mães, onde moradores fazem sua corrida ou caminhada diária. É um parque com vista para a cidade e o mar. Lindo.
*Quem não quiser andar até lá, pode optar pelo vaporetto e ainda curtir o passeio no barco-ônibus.
É preciso deixar registrado que raramente a entrada no barco-ônibus é vigiada. Acredita-se que o passageiro vai carregar seu cartão e passar pela máquina que registra sua passagem e desconta o valor do cartão. Impressionante para nós, comum para eles.
De todas as vezes que pegamos o vaporetto em apenas uma havia um "trocador" ou "cobrador", como queira. A honestidade ainda é usada pela maioria por lá.
Para quem escolher usar o vaporetto, pode-se comprar o ticket que garante viagens ilimitadas por 24 horas!
A corrida pelo orelhão. Ah... haja moedas para se comunicar... há que se encontrar o orelhão certo, que aceite as moedas que você tem. Ou saia em busca de quem troque sua moeda de dois euros por duas de um. Ai passe a torcer para encontrar o orelhão que não rejeite sua moeda de um... e assim por diante com as moedas de 50, 20, 10, e a de 5 - a mais rejeitada de todas!
A ponte de Rialto estava intransitável (em setembro), e fugimos deste cartão postal.
Me pergunto como será na alta temporada? Uma rápida passada pela feira, e já estávamos no labirinto de novo depois da corrida pela internet e pelo aluguel do carro que nos levaria por nosso longo roteiro.
Congestionamento de gôndolas... alguém já havia imaginado isso? Pois é, eu vi. No pequeno canal sem calçadas onde sentamos para almoçar nosso primeiro sanduíche de speck com uma spremuta d`arancia (de uma única arancia com o bagaço inclusive a 2,8 euros), a gondolas recheadas de turistas ficaram paradas por uns 10 minutos. eles rindo de nós sentados na pequena garagem de barcos particular, e nós deles, pagando caro para ficar num "congestionamento".
Cada um com seu cada um...
Aproveitamos para tentar decifrar a conversa dos gondoleiros, fazendo piada uns dos outros. Claro que não entendemos muita coisa... !
Mas quem ainda sonha em passear de gôndola pode escoher um dia mais calmo, num horário mais incomum (de preferência ao por do sol), e pode fazê-lo mais tranquilamente.
Um suspiro para dormir depois de um dia intenso.
Estou de férias. E no dia seguinte estaríamos nas Dolomitas...
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