
Nossa idéia inicial era fazer uma caminhada de 5 dias nas Dolomitas, a primeira metade da Alta Via 01, uma caminhada tradicional e bem puxada, considerada uma das 10 caminhadas mais bonitas do mundo. Mas para o nosso azar já era dia 22 de setembro e a temporada já tinha acabado, não existia mais onibus, trem ou alguma forma de chegar no inicio do trekking. Decidimos então antecipar o aluguel do carro e pega-lo alguns dias antes para ir as Dolomitas.
Saimos de Veneza e começamos a ir para o norte em direção a Cortina D`Ampezzo, uma diferença de 2100 metros. Aos poucos iamos saindo daquele ar maritimo e entrando em uma cadeia de montanhas de tirar o folego, estradas sinuosas e tuneis cada vez mais longos, a cada curva uma paisagem diferente.

O mais interessante no norte da Italia é a diversidade cultural e a confusão de linguas que existe. Algumas placas estão em italiano, outras em alemão e outras em uma espécie de italo-alemão, isso vale também para as pessoas que moram na região, enquanto Dani exibia seu italiano digna de uma "nona", eu tentava sem sucesso me comunicar em uma espécie de portunhol com italiano, esse dialeto impronunciavel que inventei se tornou motivo de muito aborrecimento e mau humor por parte de alguns italianos ranzinzas.
Nesse dia conseguimos chegar até o "Rifugio Lagazuoi", um abrigo localizado no topo de uma montanha e com uma vista de 360º maravilhosa. Andamos ainda nesse dia até um lago isolado que fica no pé de uma cadeia de montanhas, paisagem digna de locação para o filme "Senhor dos Aneis", lugar para sentar e perder 1 hora vendo as montanhas atravês do reflexo do lago. Enquanto Dani acabava com o nosso almoço alimentando ordas de peixinhos famintos que provalvelmente nunca tinham sentido o cheiro de um pedaço de pão de forma, eu ficava olhado aquele lugar sem acreditar muito no que estava vendo ...... estavamos nas Dolomitas.
Veio o pôr do sol e com ele, um vento gelado começava a soprar, as montanhas começaram a tomar uma cor alaranjada e a cada minuto que passava aquelas cores ficavam mais fortes. De um lado a lua cheia e do outro o sol indo embora em um laranja inexplicavel. Agora, era só se empanturrar com o jantar do refugio e dormir ao som do vento e do ronco miserável do alemão no beliche ao lado.No outro dia de manhã, pegamos o carro novamente e fomos em direção ao "Lago de Braies", quase na fronteira com a Austria, um lugar muito bonito e o começo de uma caminhada sofrida até o "Rifugio Biela" pela Alta Via 01. Passamos o dia subindo um desnivel de 1200 metros e demos graças a Deus quando chegamos no refugio no fim da tarde depois de 16km. Com as pernas cambalenado, decidimos ficar e não seguir até o proximo refugio que ficava mais 1 hora de caminhada.
Jantar delicioso e 9 horas já estávamos prontos pra dormir. Descobrimos que fomos os primeiros turistas brasileiros a ficar nesse local, (achei dificil, mas a proprietária garantiu).

O "Rifugio Biela" é um lugar isolado no meio do nada, feito de pedras do próprio local e aberto no começo do século passado é mantido pelo CAI (Clube Alpino Italiano) passou por duas guerras e abrigou centenas de escaladores que tentaram suas primeiras conquistas naquelas montanhas.
Pegamos outra trilha mais isolada no outro dia para voltar ao local onde tinhamos deixado o carro, andamos toda a trilha sem encontrar ninguém, o tempo fechou logo cedo e a caminhada foi com muito vento, com os topos das montanhas fechados pelo nevoeiro. Mais um lugar incrivel e com certeza um dos mais bonitos nesses 3 dias de ralação. Nos despedimos das Dolomitas com uma vontade de voltar, já com saudade e com uma sensação de ter sido pouco tempo. A ida até Verona no mesmo dia ia ser bem cansativa, cheia de surpresas, chuva e muita bateção de cabeça para achar o local pra dormir. Mas isso entra no proximo post.
"Post publicado por Rodrigo"
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